quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Cartão postal.



         Não faz muito tempo enviar e receber postais era um hábito entre pessoas que viajavam, recordo-me que antes de viajar sempre organizava na minha agenda o endereço dos amigos mais queridos para enviar-lhes um belo postal, era uma coisa muito prazerosa, escolher e comprar postais encontrava-os em uma banca de revista, em estações de trens,aeroportos, estações rodoviárias, pontos turísticos e livrarias, era uma forma de dividir um pouco da viagem com quem não estava ao nosso lado e também era bom guardar postais para que o próprio viajante pudesse recordar os belos locais que visitou, pois sabemos que a qualidade, o foco e a beleza do local fica sempre mais bonito nos cartões postais.
              Essa sessão de nostalgia veio depois que uma grande amiga, Beatriz Gondim, me enviou um belíssimo postal de sua viagem, e o mais divertido é que estávamos teclando através das atuais redes sociais, sempre em contato e ela me pediu o meu endereço, na minha cabeça só passou esse pensamento: talvez ela precise de um contato, pois encontrava-se fora do país.
           Os dias foram passando e acredito que sua viagem já havia terminado quando eu teclei novamente, agora agradecendo o postal, que coisa linda! Que gesto maravilhoso! Senti-me tão importante usufruindo de um tipo de tesouro que não tem preço, mas tem valor, o de ser importante para outra pessoa, sim, pois quem? Quem? Na era da comunicação rápida e direta, quem pararia em uma banca, investiria tempo e dinheiro, sim pois os postais podem até ser baratos, mas as taxas do correio não facilitam a vida dos nostálgicos como eu, e ainda escrever as palavras mais lindas para quem tem amigos: Tenho saudades,  o que percebo é que naquele momento também fiz parte da viagem, foi como se eu estivesse lá, e acredito que estava, talvez seja esta a justificativa para que eu sonhe, e sonhe sempre que conheço lugares que nunca fui, pois reconheço muitos lugares que nunca estive pessoalmente, mas que estava presente nos pensamentos e no coração dos meus amados amigos que lá estiveram.
             E agora o que fazer com este tão valioso postal, presente que vale muito mais que ouro, emoldurar, colar na capa de meu caderno de trabalho para lembrar-me todos os dias que tenho amigos valiosíssimos que me conhecem tão bem que fico até a ficar ruborizada deles estarem lendo meus pensamentos agora.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Será que sou fumante?

            
      Estava como sempre pensando envolta na fumaça do cigarro de uma amiga, quando me veio este questionamento, sou fumante ou não? É que nasci em um bom lar, minha mãe fumante, meu pai não fumante, sempre fiquei admirada com um amor , com poder tão grande para suportar incessantes baforadas em longos anos de convivência só por amor, que coisa linda! Pois, isso sim é prova de amor, escolher uma amada com um hábito difícil de conviver e nunca reclamar, ou quase nunca para ser mais franca.
              Mas os anos foram passando e como nasci na década de 70, tive minha adolescência nos anos 80, que foi um celeiro de mudanças de hábitos, fiquei entre a geração que achava charmoso fumar e a geração saúde, onde fumar não é tão legal. Eu particularmente não gosto de cigarro ou fumaça de qualquer espécie, mas não consigo viver num mundo sem cigarro, como assim!!! Meus amigos fumam, seus namorados fumam, os pais deles fumam, alguém da família sai pela casa com uma fumacinha de rastro e como era consequência já namorei e namoro um fumante, concluindo se somar as horas que passo ao lado de tantas pessoas fumantes, chego a conclusão que também faço parte deste grupo, nem que eu não queira, pois é fato que todos os dias do ano, os 365, sem exceção nunca fico livre da fumaça de cigarro.
         A pergunta inicial é que fez a minha cabeça coçar, sendo que a reflexão final é a seguinte: poderia eu pedir ou impedir que alguém fume na minha presença sem dar-lhes o direito de me pedir para deixar de fazer algo que me dá prazer? Pois já afirmava a sabedoria popular " quem não tem defeitos que atire a primeira pedra".

segunda-feira, 28 de julho de 2014

As pessoas somem.

         Estou vivenciando uma fase engraçada da minha vida, as pessoas estão sumindo, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e estão sumindo de todas as formas possíveis umas estão sumindo literalmente, não vejo nem o rastro, só mesmo contratando um detetive terei notícias delas, outras estão sumindo fisicamente perderão tantos quilos que com os quilos perdidos dá para fazer outra de mim, e olha que não sou tão leve assim! 
       Tem outras que sumiram que parece que os ETs as levaram ou foram  para o país das Maravilhas, ligo, procuro no pai de Santo google e nada, nem o rastro virtual, outras pessoas morreram mesmo, assim só sumiram dos nosso olhos, mas estão em outro lugar, ainda tem outras ficam escondidas atrás de suas novas famílias, filhos, sabe como é, usam outras pessoas de camuflagem para não percebemos que estão vivendo no bairro vizinho e dando uma de avestruz escondendo a cabeça na terra e deixando aquele corpinho para fora.
       Tem outras pessoas que somem de beréu, abestadas que são mesmo, nos veem e fazem de conta que somos miragem e passam por nós e somem na multidão, outras pessoas somem porque se encontraram, em uma nova Religião, uma nova filosofia de vida, fazendo o caminho de Santiago de Compostela, tenho amigos chic bem, somem até no meio do mundo, mas fica aqui a reflexão: "quanto mais perdemos pessoas mas espaço temos para encontrarmos outras!"

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Eu não quero fazer, o que eu quero fazer.

          Todos já tivemos nossos dias de marasmo e desânimo, mas tem dias de dúvida total, onde ficamos parados, sem sabermos para onde ir, nem muito menos o que fazer, mesmo precisando realizar muitas coisas, ir trabalhar, mesmo tendo uma pinha de coisa para arrumar, colocar no seu devido lugar, coisas para ler, para lavar, para pagar, ligações a fazer, e-mail para ler, vontade de tomar um sorvete, mas aí ficamos no dilema, vou ou não vou? Quero ou não quero? Fazer ou não fazer?
       Na verdade não queremos fazer o que queremos fazer, ficamos paralisados, deitados em frente a tv, olhamos nuvens, vemos o vento balançar coqueiros ou levar folhas, vemos a fumaça saindo na chaleira, ouvimos música, mechemos no computador e aí ficamos quietinhos, olhar parado, só observando a nossa respiração, que só continua pois sem ela não vivemos, pois até ela seria questionada se pudéssemos.
            Precisar fazer coisa o tempo todo cansa, mas o mundo gira, e não é a toa, é para girarmos juntos, mas falando a verdade quem nunca girou a força, pela necessidade de trabalhar, de deixar tudo feito para filhos, maridos, pais, namorados, amigos e até desconhecidos?
             O que penso que quando aparecer o desejo de não querer fazer o que quer fazer, decida logo, relaxe, pare tudo e fique observando o abdômen subir e descer, pois não dá para lutar quando não sabemos nem por onde começar


     

quarta-feira, 19 de março de 2014

Shopping de emoções.

            Estava rodando pela minha bela cidade, Fortaleza, e fiquei admirada com a quantidade de shoppings novos, centro comerciais completos erguidos da noite para o dia e todos sempre lotados, afinal de onde vem tanta gente e tanto dinheiro para movimentar tanto comércio? Sem citar as lojas e centros comerciais de pequenos porte, fico matutando se realmente precisamos consumir tanto.
           Estou passando por uma fase de abstenção de compras tanto por parte de dívidas, como também por falta de interesse em compras, traduzindo, estou triste, mais para "deprê" mesmo, não tenho cabeça, nem condições emocionais e nem muito menos condição financeira para compras neste momento. Estou muito, muito triste, parece que entrei num shopping de emoções e fui direto para as lojas que vendem culpa, tristeza, melancolia, arrependimento e enchi as bolsas e sacolas com tudo o que tinha direito e mais um pouco.
          Hoje vejo a vida a assim: somos consumistas, consumimos coisas, comidas, pessoas, sentimentos e quanto a ultima parte, a dos sentimentos, estes também são capazes de nos consumir, e a mim estão a me fazer de tola, como num shopping onde as vitrines nos seduzem e compramos coisas que nem precisamos e nem mesmo queremos, mas que no final todas as compras foram feitas por você, as compras não entraram nas sacolas sozinhas, pois é, estou nesta de compras em lojas que me seduzem, e estas são as lojas mais densas, as que me atraem, são as que me fazem pensar muito e ficar apática a vida, as sacolas estão assim empilhadas em minhas mãos: remorso, culpa, solidão, tristeza, arrependimento, e como consequência ganhei de brinde saches de: sono e preguiça, fico agora perguntado quando poderei visitar as lojas de: felicidade, alegria, tranquilidade, paz, bom humor, e o que devo neste momento é buscar a coerência, tanto que todos os amigos, aqueles me cercam são unânimes em afirmar que tenho apenas uma solução é esperar pelo tempo, sábio tempo, implacável tempo e porque não inevitável tempo. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

Nunca fui bonita

        Esta afirmação é bem realista e nada de depreciação minha, apenas uma constatação, na verdade me acho bonita, sexy, atraente, inteligente e interessante, mas voltando a afirmação do título, é que o conceito de beleza é algo tão particular que por muitas vezes vejo pessoas admirando outras, por estarem bem vestidas, bem maquiadas, sem barriga, bumbum grande, peitão, pernão e  com um comportamento de atrair outras pessoas, dizem que os bonitos são mais simétricos que outros, um lado do rosto e do corpo bem parecidinho com o outro, mas sei que tenho meu espaço, porém esse não é o meu foco, pois beleza vai embora enquanto o bom humor, praticidade, o amor, a amizade, a família tudo isso fica.
        Vivendo num mundo onde a imagem é tudo, milhares de fotos postadas em redes sociais por segundo, pessoas deixando a aparência superior a essência, sim para parecer bonito, negligenciam a saúde com dietas malucas, o tempo com família, filhos e amiga por horas de exercício, e isso tudo é para que? Para satisfazer a vaidade, sim a grande vaidade que penetra no coração dos homens, como já afirmava a Bíblia no Livro de Eclesiastes "vaidade, vaidade tudo é vaidade".
          A beleza é algo necessário, ver pessoas belas faz bem, mas o culto a beleza  vem me deixando cabreira, pois o que por um momento nos chama atenção pode ter sido conseguido com muito sacrifício, e para que, para ser aceito e amado ou amada, verifico ainda que as mulheres tenham mais inclinação a busca pela bela aparência do que os homens, que agora também esta buscando uma aparência perfeita, buscando o que para mim é o óbvio, buscando aceitação, ser querido e amado, uma coisa que deve ser conquistada por um convívio, com atos e com muita paciência, pois conviver com alguém todos os dias e amar esta pessoa não é fácil, pois somos falhos, mal humorados, ranzinzas e muitos outros defeitos que só podem ser visto de perto e que nenhuma maquiagem pode cobrir.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Pessoas tóxicas.

        Estava eu pensando em calçar o tênis e ir caminhar, quando a amiga chega e diz, vamos sair, conversar e tomar uma cervejinha? Claro que o tênis ficou encostado na hora e fui logo trocando de roupa, sei que precisamos sair e conversar mas tem pessoas que sempre despertam algo em nós que  guardamos, uma vontade de não seguir o certo, essas pessoas nos liberam de nossos juízes  interiores que sempre nos condenam por fazermos algo que desagrada a linha de comportamento proposto pela sociedade como normal e aceitável, são as pessoas tóxicas, que aqui venho afirmar que por muitas vezes considero-me uma destas pessoas.
        Primeiro vou dar uma definição bem pessoal de tóxico, algo que faz mal, que pode envenenar, mudar a pessoa, mas que também dá prazer, felicidade, relaxar, pois se assim não fosse ninguém faria uso do tóxico, para mim nada mais tóxico que café, chocolate, pão, batata frita, filmes como: o exterminador do futuro, curtindo a vida adoidado, e mais ainda cerveja, sapatos, músicas de rock,  castanhas, e por aí vai.
        Voltando as pessoas tóxicas parece que ficamos esperando a vida toda por encontros com as pessoas tóxicas, que nos fazem relaxar comendo mais, falando mais, dançando mais, viajando mais, gastando mais, saindo mais e porque não dizer vivendo mais, em vez de seguir a vida arisca de forma equilibrada. Porém tudo na vida tem um preço e qual é o que pagamos por este convívio a mil com as pessoas tóxicas, é conhecer mais lugares,pessoas,  engordar, dormir tarde, chegar atrasado no trabalho ou sair cedo para um happy hour , ficar sem voz, estourar o cartão de credito, dever no cheque especial e voltando a ladainha arriscando a viver perigosamente no limite.
E sabe o que acontece depois de um tempo de convívio com pessoas tóxicas, a própria vida faz o favor de afastá-las de nós, nos trazendo voltar a vida pacata e  equilibrada e conduzindo-as a vida de outras pessoas para que estas tenham um acelero, um rompante de ideias, valores e sabores que estavam guardados ou melhor censurados a espera de uma gatilho que disparasse tudo e depois mais uma vez a vida gira e essa pessoas vão saindo da vida de um e entrando na vida de outros, são pessoas nômandes de espírito e de apego e que nos fazem viver muitas coisa inesperadas mas que podem nos fazer mal se persistimos na convivência a longo prazo pois são viciantes e podem nos deixar dependentes e isso  não é bom, mesmo assim desafio você a pensar em alguém que você que conheceu ou conhece que possuam estas caracteriscas, e se você ainda não as conhece,  então fique atenta pois quando depararem com uma delas irá saber, então o meu conselho é que aproveite, mas não se deixe viciar.